O texto que se segue foi elaborado em 2009 na fase de pesquisa para o livro “Retratos Astrológicos de 100 Portugueses Famosos” lançado recentemente, e a quem convido a todos uma leitura atenta. Neste livro pode encontrar alguns dos apontamentos biográficos abaixo com a análise do mapa astrológico deste grande artista português, assim como de mais 99 figuras extraordinárias.
Partilho este texto pois, no decurso desta pesquisa encontrei muitas dificuldades na angariação de dados sobre a vida deste artista, algumas informações que aqui encontram estão em alguns blogs na internet, muitas repetidas, e provêm originalmente de diversos números dos Jornais “Diário de Notícias da Madeira”, “Jornal da Madeira” e da Revista “Olhar, deste último jornal. Toda esta pesquisa foi realizada nas excelentes instalações da Biblioteca e Arquivo Regional da Madeira, onde também pude obter os registos de nascimento, casamento e óbito de Max e também os dados sobre a sua mãe e irmãos.
Deixo-vos também algumas actuações de Max, que retirei do "You Tube" para vos recordar o enorme talento deste homem e que também me inspiraram na elaboração da sua biografia. Vejam sobretudo a imitação de instrumentos.
Partilho este texto pois, no decurso desta pesquisa encontrei muitas dificuldades na angariação de dados sobre a vida deste artista, algumas informações que aqui encontram estão em alguns blogs na internet, muitas repetidas, e provêm originalmente de diversos números dos Jornais “Diário de Notícias da Madeira”, “Jornal da Madeira” e da Revista “Olhar, deste último jornal. Toda esta pesquisa foi realizada nas excelentes instalações da Biblioteca e Arquivo Regional da Madeira, onde também pude obter os registos de nascimento, casamento e óbito de Max e também os dados sobre a sua mãe e irmãos.
Deixo-vos também algumas actuações de Max, que retirei do "You Tube" para vos recordar o enorme talento deste homem e que também me inspiraram na elaboração da sua biografia. Vejam sobretudo a imitação de instrumentos.
Maximiano de Sousa, que toda a gente conhece por Max, foi um dos mais populares artistas da rádio, do teatro, e da televisão Portuguesa. Foi compositor, cantor, actor, humorista e alfaiate. Levou a Madeira e Portugal aos quatro cantos do Mundo. Quem não conhece o Bailinho da Madeira ou a Mula da Cooperativa? Quem fica indiferente à sua perfeita imitação de instrumentos e à sua contagiante alegria?
Max nasceu no dia 20 de Janeiro de 1918, na freguesia da Sé, no Funchal, apesar de ter sido registado como tendo nascido a 2 de Fevereiro de 1918. Filho de Georgina Sousa, natural da Sé - Funchal, solteira e de pai incógnito. Sua mãe teve mais dois filhos depois de Max, um rapaz Jaime e uma rapariga, a mais nova dos três, Beartine.
Começou a trabalhar aos 13 anos como aprendiz de alfaiate. O seu sonho era vir a ser barbeiro ou violinista. Chegou a aprender solfejo, mas como ele dizia “tinha pouca paciência para aprender as notas, a minha intuição fugia, estava sempre a ir para a frente, queria logo saber o final”. Cedo ficou conhecido por assobiar as suas melodias pelo Funchal e no local onde exercia a sua actividade de aprendiz de alfaiate.
Aos 13/14 anos, na Praia Oriental, no Campo Almirante Reis, começa a cantar numa casa de diversão do Funchal. Teve tanto sucesso que em 1936, com 18 anos, foi convidado a actuar num dos Hotéis mais badalados da época, no “Esquire Bar” do Bela Vista, a convite do Director Fred Johns, um britânico que foi um dos grandes impulsionadores da sua carreira. No entanto dividia-se entre o seu ofício de Alfaiate durante o dia e o de cantor à noite, a ponto de irmã Beartine contar que tinha alguma dificuldade em acordá-lo de manhã e fazia-o às escondidas da mãe. Quando esta descobriu foi falar com o patrão alfaiate que se queixou de ele pouco fazer durante o dia.
Foi com muita frequência que vi estes anúncios enquanto percorria os diversos jornais madeirenses da época.
A 9 de Julho de 1942 casou-se com Luciana de Freitas, natural da Sé - Funchal, na Igreja de São Pedro, no Funchal. Nesse mesmo ano de 1942, funda com os seus amigos, actuando como cantor e baterista, a banda “Tony Amaral” e terá largado a profissão de alfaiate definitivamente.
A 6 de Março de 1944 a mãe de Max morre, deixando 3 filhos, sendo Beartine ainda menor. Nesse mesmo ano Max profissionalizou-se como artista na inauguração da boite “Flamingo”, com a mesma banda e foi um grande sucesso. Esta boite era na época uma das mais badaladas de Portugal e Espanha e foi iniciativa de um advogado, velho boémio de Coimbra, Dr. Consuelo Figueira.
Em 1946, impulsionado por Henrique Santana e Fred Johns, Max viaja para Lisboa com o conjunto “Tony Amaral” para actuar no Clube Americano. O grupo atinge um sucesso enorme e surgem solicitações de todo lado. Entretanto fixam-se no night club Nina, onde tocavam boleros, slows e fado-canção. Nessa altura o fado Mayerúe, mais conhecido como “Não digas mal dela” de Armandinho e Linhares Barbosa popularizou a sua voz.
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Lisboa vivia o pós-guerra, foi uma altura de grandes mudanças, Max dizia: “Por essa altura alterou-se muito a música. A rapaziada já não queria o fado choradinho. Queria coisas mais animadas. Mas havia um fadinho, com música do Armandinho e letra do Linhares Barbosa, o fado Mayerúe, que continuava a ser um sucesso”. Foi este mesmo fado que o levou a separar-se do conjunto “Tony Amaral” e a lançar-se numa carreira a solo em 1948. Max disse: “Nós tínhamos grande categoria e estávamos sempre a ser chamados para festas da alta, da “high-life”. Quando foi a apresentação do Craveiro Lopes, então Presidente da República, depois da morte de Carmona, dos bigodes, a sociedade do Porto fez uma grande festança, um grande baile, no Palácio da Bolsa. Nós éramos os melhores e lá fomos. Havia um Ministro das Obras Públicas, assim com uma cara grande e magra, que esteve muito tempo no cargo, que gostava muito desse meu fadinho. E foi pedir ao Tony Amaral para ele o tocar. O Tony fez ouvidos moucos, que estava noutra série, que não sei quê, e acabou por não tocar a música. Eu levei isso muito a mal e deixei o conjunto. Passei a trabalhar cinquenta vezes menos e a ganhar cinquenta vezes mais”.
Max é o sucesso do momento na Rádio Clube Português em parceria c/ Humberto Madeira. Em 1949 grava o seu primeiro disco, um 78 rotações, com a editora Valentim de Carvalho que incluiu “Noites da Madeira” e “Bailinho da Madeira”. Segundo Max “deu dinheiro como milho”.
Seguiram-se muitos sucessos como “A Mula da Cooperativa”, “Porto Santo”, “31” e “Sinal da Cruz”.
Seguiram-se muitos sucessos como “A Mula da Cooperativa”, “Porto Santo”, “31” e “Sinal da Cruz”.
Em 1952 e depois de ter conquistado a rádio, a convite de Eugénio Salvador, participa na Revista Saias Curtas, no Maria Vitória, no Parque Mayer, e seguem-se uma série de participações em revistas, que revelarão também os seus dotes de actor e humorista.
Em 1957 parte numa digressão em conquista dos Estados Unidos da América, com um grande contrato de cinco anos, mas devido a uma súbita doença de coração, não chegou a durar três anos. Foi um madeirense, construtor civil, que se chamava Manuel Brasão que levou Max aos EUA. Por lá actuou de costa a costa. Esteve na famosa boite “El Chico” em Nova Iorque, o “Mayor” de Oakland entregou-lhe a chave de ouro da cidade, actuou no “Carnegie Hall” no espectáculo “The Whole World Sings, cantou num show para as Nações Unidas, participou numa série de tournées com os “Niccholas Brothers”, actuou no famoso “Flamingo” em Hollywood, actuou no programa televisivo de Grouxo Marx, na NBC, com uma audiência de 48 milhões de espectadores.
Quando se recompôs da sua doença de coração, Max viajou por Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil e Argentina.
De salientar que durante os períodos no estrangeiro, Max interpretava quase na totalidade as suas músicas em português.
Quando regressou definitivamente a Portugal, depois das suas inúmeras digressões, Max retomou a sua carreira no Teatro, tendo integrado diversas companhias como o Teatro ABC, Coliseu dos Recreios, Teatro Avenida, Teatro Sá da Bandeira entre outros, participando também em programas publicitários na emissora nacional e na RTP.
Nesta época gravou um dos seus maiores êxitos, “Pomba Branca”.
Porém, apesar do grande carinho do público, nem sempre teria continuidade de trabalho, tendo vivido com algumas dificuldades, sendo os discos e os direitos de autor a sua principal fonte de rendimento.
Eugénio Salvador, seu grande amigo e companheiro de teatro disse “Foi um dos camaradas mais perfeitos que encontrei. Mas foi infeliz e ninguém lhe terá dado a mão como ele bem merecia. Assim, foi obrigado a trabalhar em tournées, por exemplo pela Alemanha e Canadá. Além desta sua cansativa actividade, gravou discos bem populares. Já antes de ter feito parte da minha Companhia no Maria Vitória, se verificou um grande espaço de tempo em que ninguém o contratou, quando Max tinha mais do que valor para estar com os outros actores nos elencos dos espectáculos. Ele foi um excelente nome da nossa Revista”.
Amália, sua amiga, disse a um jornal que Max “teve que abandonar o teatro prematuramente porque se cansava muito com 2 sessões diárias de revista, daí que tivesse orientado o seu trabalho para espectáculos de variedades um pouco por todo o país”.
A 30 de Setembro de 1963 a Câmara Municipal do Funchal homenageou Max oferecendo-lhe um relógio de ouro com dedicatória gravada. Esta homenagem foi uma sugestão de Raul Solnado, e foi a primeira de várias que a sua terra lhe prestou.
A 16 de Novembro de 1978 foi-lhe atribuída a Medalha de Ouro da cidade do Funchal, como “reconhecimento pelo grande amor que esse ilustre artista sempre tem posto na divulgação da sua terra”. Este galardão só viria a ser entregue ao seu filho José António de Sousa, na festa da sua homenagem em 1979.
A 29 de Janeiro de 1979 vivia em Algueirão, concelho de Sintra e estava bastante debilitado, razão pela qual não se pode deslocar ao Funchal para participar na sua homenagem, que decorreu no Casino e que foi transmitida para todo o país pela rádio e televisão. Max acompanhou o espectáculo pela Rádio.
Nesta homenagem participaram numerosos artistas, entre eles alguns dos seus maiores amigos, Virgílio Teixeira, Amália, Raul Solnado, Henrique Santana, Nicolau Breyner, Mara Abrantes, Valério Silva, Paco Bandeira, Carlos Coelho, entre outros.
Na altura, em entrevista exclusiva à ANOP - DN, no dia anterior à sua homenagem, e a propósito desta festa, disse: “amigos venham, venham todos que eu não quero nem nunca quis inimigos. Para quê se estou no mundo por simples empréstimo?”. Acamado disse aos jornalistas “ai Jesus. Ai Meu Deus. Eu nem podia ir, comovia-me com tanta facilidade” e acrescenta “Eu não esperava tanto, esta festa é das verdadeiras, os meus amigos sempre me disseram que um dia haviam de me fazer uma homenagem. E isto? E isto que eu recebi hoje do Governo da Madeira? Onde é que ia buscar este dinheiro para manter a minha vida? Isso que está aí é importantíssimo”. A carta recebida dizia: - “não cabe, na linguagem linear de um documento oficial interno, quanto sobre os serviços prestados por Max à Madeira importa sublinhar e agradecer”. O Governo Regional da Madeira decidiu atribuir uma pensão de quinze mil escudos a Max.
Max é conhecido entre as pessoas que contactaram com ele, como uma pessoa sensível, sincera, correcta, alegre, não era dado a intrigas. Max disse: “Eu, felizmente só tenho amigos sabe? Nunca fui capaz de repetir às pessoas o que ouvia de outras. Deus me livre, acho que não tenho esse direito”.
Henrique Santana, um dos seus maiores amigos e grande incentivador da sua carreira disse: “Max é o caso mais extraordinário da canção portuguesa com uma voz espantosa e agradável. Max é um actor com rara qualidade de provocar imediatamente a simpatia de uma plateia”.
Raul Solnado disse: “Max é um amigo de sempre. Penso que é um dos maiores, senão mesmo o maior artista de “music hall” que tivemos e temos. Foi pena ter abandonado o teatro de revista pois este não é tão rico que se possa dar ao luxo de pôr de lado tão grande valor. Ele teve uma carreira moral além de artística. Nunca fez mal a ninguém nem nunca se envolveu em tricas e intrigas comuns no meio artístico. Não conheço quem quer que seja que não goste dele ou alguém de quem Max não goste. No fundo gostar de Max é um lugar comum”.
Amália disse: “todos os portugueses sentem por ele uma ternura muito especial. Além disso, não conheço quem não goste de o ouvir cantar. O Max teve sempre um grande público que teve por ele uma amizade muito particular e que nunca ficou desiludido com as suas actuações”.
Paco Bandeira disse sobre Max: “Ele divulga nas suas actuações a verdadeira música popular. Lembro-me de Max a chorar de sensibilidade nos espectáculos em que cantava música da Madeira. É um homem que sente o que faz e por isso é digno da sua profissão”.
Max faleceu em Lisboa a 29 de Maio de 1980, exactamente 16 meses depois da sua homenagem. Depois de um largo período de hospitalização, parecia estar recuperado, ambicionava concretizar ainda muitos projectos como artista. Quando almoçava com o seu filho num restaurante de Lisboa, sentiu-se indisposto e foi conduzido ao Hospital de São José, com a pulsação muito baixa, morreria 10 minutos depois de ter sido internado, quando eram 13h20.
No dia da sua morte e por deliberação do Governo Regional da Madeira, a sua esposa continuou a receber a pensão atribuída a Max. A Câmara Municipal do Funchal decidiu atribuir-lhe o nome de uma Rua, pela divulgação que sempre fez da sua terra. Em 1991 a Câmara Municipal do Funchal ergueu um busto em sua homenagem, da escultora Luíza Clode, no Largo do Corpo Santo, bem próximo da casa onde Max viveu. A família aguarda a abertura de um museu no Funchal onde poderá colocar todo o espólio de Max, que sempre disse que deixaria à sua terra.
***
Hoje, enquanto procurava imagens para colocar neste artigo, deparei-me com um site intitulado “MAX – A Grande Homenagem”, criado no âmbito da homenagem que pretendem fazer a Max, prevista para Outubro deste ano, 30 anos passados desde o seu falecimento, não deixem de visitar e divulgar.
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Um trabalho de enorme fôlego e muito bem feito!!! Parabéns.
ResponderEliminarBeijokas.
Olá querida Sam, um belo trabalho.Parabéns.Gostei de saber mais coisas sobre o Max, esse enorme e talentoso artista que eu tanto gostava de ouvir.Beijocas.
ResponderEliminarOlá António :)**
ResponderEliminarMuito obrigada amigo, Max foi um artista extraordinário e um mapa muito interessante de analisar.
Beijinhos
Olá Mimi
ResponderEliminarQue bom que gostaste, obrigada :)) Gosto muito de Max, desde pequena. Ainda hoje gosto de o ouvir.
Beijinhos